domingo, 12 de dezembro de 2010
Chão de gelo fino
A caminhar sobre gelo fino tentava entender esse chão gelado que me tocava aos pés.Vi abaixo do gelo outro homem sufocado tentando sair,batendo no gelo com tal força,me encarando de uma forma assustadora e confusa.
Sabe,meus pés estavam em carne viva de vermelhos,descalços naquela imensidão gelada.Tentei abaixar -me e ajudar o outro homem,o via sendo sufocado por águas gélidas.Se desse pra ver bem sua cor através daquele gelo saberia que era mais branca que o normal.
Bati meus pés forte no chão,rachaduras e estalos...
Quando me vi estava acordando e agora quem estava abaixo do gelo era eu.E... quando tentava nadar ao alto e quebrar o gelo pra me salvar vejo outro homem lá em cima observando da mesma forma incógnita a minha aflição.
Mesmo sem o discernimento adequado,devido a águas que já invadiam o cérebro,percebi que era eu o tempo todo aquele homem que queria salvar.Contudo o curioso,o mais curioso... é que o homem acima do gelo estava em paz,e o que estava abaixo em estado de aflição.Então é isso... O gelo é a divisão entre esses dois mundos,aflição e paz. E caminho entre esses mundos: A paz tentando me salvar da aflição,e a aflição tentando me prender abaixo do gelo,me tirando a paz.
(Eber Vasconcelos)
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Espinhos
Dia de desgosto,fúria!
Escrevo aqui como se pudesse esmurrar qualquer injúria.
Nasci com um destino,
Desde menino alçava o céu.
Não admito que me olhe!
Não admito que fale sobre mim!
Porque eu sou o bem que você jamais viu,
Sou o homem que você jamais ouviu falar.
Hoje sinto ódio
Como se a cabeça doesse.
Como se fechasse algo ruim por dentro.
O raciocínio fica lento...
Quero só destruir...
Parece,a destruição,um remédio.
Um remédio com seus efeitos colaterais.
Você viu Deus passar?
Viu Seus passos acompanharem aos meus?
Provavelmente não...
Me perdi desse caminho.
Fiz do amor minha rosa,amei.
Senti o cheiro da mulher que seria pra vida inteira à distância,chorei.
Chorei sua beleza intocável.
E o que me sobrou foram espinhos.
E os espinhos da carne... hoje corrompem a alma.
Deus abençoe,livre e guarde...
(Eber Vasconcelos)
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Abrigo da noite
Uma casa estava vazia,escura,com alguns pontos somente de luz, haviam ecos que iam e viam do nada . Da janela a luz entrava parecendo contemplar o corpo que chora sua beleza em um canto .O canto era só...entoado . Uma mulher soluçando deitada,uma angústia sem carinhos,um corpo em rosas e espinhos.
Ninguém entrava naquele lugar,era abandonado por sabe se quem,mas alguém quis morar nesse lugar e viver sua paixão nua. A casa recolhia todos os dias dessa mulher . Ela,abraçada ao desejo,não compartilha sua vontade de perder-se.
Um dia fui visitá-la com meus poemas rimados,com minhas vontades,com meus sorrisos,com meus carinhos,com meus desejos... Ela me recebeu coberta por um lençol de seda,ela chorou seu passado em meus ombros,ela me amou por toda noite sem saber quem eu era.
O dia nasceu... Fui embora pensando nela,fui embora e o dia nunca mais voltou...
(Eber Vasconcelos)
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